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HISTORIA DO CRISTIANISMO


Texto extraído do livro Manual Bíblico
Seminario Batista Teológico do Ceará.
Cadeira: Historia do Cristianismo
Prof: Antonio Pinto
Aluna: Rosangela Colares


Reconhecimento Imperial da Pretensão do Papa Leão I, 440-61, chamado primeiro papa por alguns historiadores. O infortúnio do império foi propício ao papa. As controvérsias retalhavam o Oriente; o Ocidente, com imperadores fracos, cedia terreno aos invasores bárbaros. O papa era o único homem forte naqueles dias. Leão, 452, persuadiu o huno Atila a poupar a cidade de Roma. Mais adiante, 455, induziu o vândalo Genserico a compadecer-se da cidade. Isto contribuiu muito para o renome do papa. Leão afirmou que, por disposição divina, era o primaz de todos os bispos, e obteve do imperador Valentiniano III, 445, o reconhecimento imperial dessa pretensão. Proclamou-se senhor de toda a Igreja; advogou para si só o papado universal; disse que resistir à sua autoridade era ir direto para o inferno; defendeu a pena de morte para os hereges O Concílio de Calcedônia, 451, quarto concílio ecumênico, em que tiveram assento os bispos de todo o mundo, a despeito do ato do imperador, concedeu ao patriarca de Constantinopla AS MESMAS PRERROGATIVAS do patriarca de Roma.

A Queda de Roma Hilário, 461-8. Simplício, 468-83, era o papa quando o Império Ocidental se extinguiu, 476. Este fato deixou os papas livres da autoridade civil. Os vários e novos reinozinhos dos bárbaros em que o Ocidente ficou dividido, deram aos papas oportunidade de fazer alianças vantajosas, e, gradualmente, o pontífice veio a ser a figura dominante no Ocidente. Felix III, 483-92. Gelásio I, 492-6. Anastácio II, 496-8. Símaco, 498-514. Hormisdas, 514-23. João I, 523-5. Felix IV, 526-30. Bonifácio II, 530-2. João II, 532-5. Agapeto I, 535-6. Silvério, 536-40. Virgílio, 540-54. Pelágio I, 555-60. João III 560-73. Bento I, 574-8. PelágioII, 578-90. O Primeiro Papa Verdadeiro GREGÓRIO I, 590-604 d.C., é, geralmente, considerado como o primeiro papa. Surgiu num tempo de anarquia política c de grandes perturbações públicas por toda a Europa. A Itália, depois da queda de Roma, 476, tornara-se um reino gótico; depois uma província bizantina, sob o domínio do imperador oriental; agora estava sendo pilhada pelos lombardos. A influência de Gregório sobre os vários reis teve um efeito estabilizador. Decidiu por si mesmo exercer completo domínio sobre as igrejas da Itália, Espanha, Gália e Inglaterra (cuja conversão ao cristianismo foi o grande acontecimento de sua época). Trabalhou, incansavelmente, pela purificação da Igreja; depôs bispos negligentes ou indignos, e opôs-se, zelosamente, à prática da simonia (venda de cargos). Exerceu muita influência no Oriente, se bem que não reivindicasse jurisdição sobre a Igreja Oriental. O patriarca de Constantinopla chamava-se a si mesmo "bispo universal". Isto irritou muito a Gregório, que repeliu o título como "vicioso e arrogante", recusando-se a permitir que lho aplicassem; c, todavia, na prática, exerceu 'toda a autoridade representada por esse título. Pessoalmente, era bom homem, um dos papas mais puros e melhores; incansável n.os seus esforços por justiça em favor dos oprimidos, e de caridade ilimitada para com os pobres. Se todos os papas fossem como ele, que idéia diferente o mundo não faria do papado! Sabiniano, 604-6. Bonifácio III, 607. Bonifácio IV, 608-14. Deusdedit, 615-8. Bonifacio V, 619-25. Honório I, 625-38. Severino, 640. João IV, 640-2. Teodoro I, 642-9. Martinho I, 649-53. Eugênio I, 654-7. Vitaliano, 657-72. Adeodato, 672-6. Dono I, 676-8. Agatão, 678-82. Leão II, 682-3, declarou "herético" Honório I. Estranhável: um papa "infalível" chama "herético" a outro papa "infalível". Mas acontece que os papas só se tornaram "infalíveis" no Concílio do Vaticano I 1870, que os declarou tais. Bento II, 684-5. João V, 685-6. Como, 686-7. Teodorus, 687. Sérgio I, 687-701. João VI, 701-5. João VII, 705-7. Sísínio, 708. Constantino, 708-15. Gregório II, 715-31. Gregório III, 731-41.

O Papa Se Torna Rei Terrestre
Zacarias, 741-52, serviu de instrumento para se fazer de Pepino (pai de Carlos Magno) rei dos francos (povo germânico que ocupava o oeste da AIemanha e o norte da França). Estêvão II, 752-7. Por solicitação sua, Pepino, por sua vez, conduziu seu exército à Itália, venceu os lombardos, cujas terras (grande parte da Itália) deu ao papa. .Foi esta a origem dos "ESTADOS PONTIFÍCIOS", ou "DOMINIO TEMPORAL" dos papas. O domínio civil de Roma e do centro da Itália pelos papas, assim estabelecido por Zacarias e Estêvão e reconhecido por Pepino, 754, foi mais tarde confirmado por Carlos Magno, 774. O centro da Itália, que uma vez fora cabeça do Império Romano, depois reino gótico e. mais adiante província bizantina. agora tornava-se REINO PONTIFÍCIO, governado pelo "cabeça" da Igreja. Durou 1.100 anos, até 1870. Paulo I, 757-67. Estêvão III, 768-72. Adriano 1,772-95.
O poder papal grandemente fomentado por Carlos Magno Leão III, 795-816 d.C., em paga, por haver Carlos Magno reconhecido, 774, o poder temporal dos papas sobre os Estados Pontifícios, conferiu-lhe, 800, o título de "imperador romano", unindo, assim, os domínios romanos e francos no "SANTO IMPÉRIO ROMANO" e transferindo a capital, de Constantinopla para Aix-la-ChapeIle, na Alemanha Ocidental. Carlos Magno, 742-814, rei dos francos, neto de Carlos Martelo (que salvara dos maometanos a Europa) foi um dos maiores governantes de todos os tempos. Reinou 46 anos, fez muitas guerras e conquistas de enorme envergadura. Seu reino abrangia o que hoje é a Alemanha, a França, a Suíça, a Áustria, a Hungria, a Bélgica, e partes da Espanha e da Itália. Ajudou ao papa, e o papa o ajudou. FOI ELE UMA DAS MAIORES INFLUÊNCIAS em levar o PAPADO à posição de PODER MUNDIAL. Pouco depois de sua morte, pelo Tratado de Verdum, 843, seu império foi dividido no que veio a ser os fundamentos da moderna Alemanha, França e Itália; e, daí por diante, durante séculos, houve luta incessante pela supremacia, entre os papas e os reis da Alemanha e da França.

"O Santo Império Romano"
Estabelecido assim por Carlos Magno e Leão III, declarando-o, Roma, independente de Constantinopla e restabelecendo o Império Ocidental com soberanos germânicos no trono, que usavam o título de "César;", conferido pelos papas, acreditou-se que isso era a continuação do antigo Império Romano. Este Império deveria estar sob a direção conjunta dos papas e dos imperadores germânicos, estes gerindo os negócios temporais, e aqueles os espirituais o Mas, considerando que a Igreja era uma instituição do Estado, nem sempre foi fácil delimitar a respectiva jurisdição, daí resultando muitas lutas amargas entre os imperadores e os papas. O Santo Império Romano, "mais um nome do que um fato consumado”,durou mil anos, e foi liquidado por Napoleão, 1806. Serviu ao fim a que se propusera, combinando as civilizações romana e germânica "Nesse Império entrou tudo quanto fora do mundo antigo; dele emergiu o mundo moderno" - Bryce. Estêvão IV, 816-7. Pascoal I, 817-24. Eugênio II, 824-7. Valentino, 827. Gregório IV, 827-44. Sérgio II, 844-7. Leão IV, 847-55. Bento III, 855-8.
As Pseudo-Decretais de Isidoro Ajudam ao Papado.
Nicolau I, 858-67, o maior papa entre Gregório I e Gregório VII. Foi o primeiro a usar coroa. Em abono de sua pretensão de autoridade universal, fez uso, com muito efeito, das PSEUDO-DECRETAIS DE ISIDORO, livro que apareceu em 857, mais ou menos, o qual continha documentos que se pretendia fossem cartas 'e decretos de bispos e concílios do 2º e 3° séculos, todos eles visando a exaltar o poder do papa. Foram invenções e corrupções premeditadas de antigos documentos históricos, mas a sua natureza espúria só foi descoberta alguns séculos depois. Soubesse ou não que fora isso forjado, pelo menos Nicolau mentiu. em declarar que aquilo tinha sido guardado nos arquivos da Igreja Romana desde tempos antigos. Mas serviram ao propósito que tinham de "selar as pretensões do clero medieval com o sinete da antigüidade". "O papado, que se desenvolveu através de vários séculos, foi apresentado assim como algo que já no princípio surgira completo e que não sofrera alteração." Nisso estava incluída a “doação de Constantino"; pela qual se davam, ao bispo romano, as províncias ocidentais com todas as insígnias imperiais. "O objetivo era antecipar de 5 séculos o poder temporal do papa, o qual de fato repousava nas doações de Pepino e Carlos Magno." "Foi a fraude literária mais colossal que a História registra. Fortaleceu o papado mais do que qualquer outro expediente, e constituiu-se; em larga escala, a base da lei canônica da Igreja Romana."

A Grande Brecha na Cristandade Nicolau tomou a peito intervir nos negócios da Igreja Oriental. Excomungou Fócio, patriarca de Constantinopla, que, por sua vez, o excomungou também. Seguiu-se a cisão da cristandade, 869 (consumada em 1054). Embora o Império estivesse dividido desde 395, e tivesse havido uma luta prolongada e amarga entre o papa de Roma e o patriarca de Constantinopla, ambos a disputar a supremacia, a Igreja permanecera UNA. Os concílios eram assistidos por representantes do Oriente como do. Ocidente. Durante os 6 primeiros séculos, o Oriente representara os sentimentos da Igreja e era sua parte mais importante. Todos os concílios ecumênicos tinham-se realizado em Constantinopla-, ou em lugares perto, usando-se a língua grega; e neles se resolveram as questões doutrinárias. Mas, agora, a pretensão insistente do papa, de ser o senhor da cristandade, acabou por se tornar intolerável, dando ocasião a que o Oriente se separasse de modo definido. O Concílio de Constantinopla, de 869, foi o último concílio ecumênico. Daí por diante, a Igreja Grega teve seus concílios, e a Igreja Romana os seus. A brecha tem aumentado com o passar dos séculos. A maneira brutal como Constantinopla foi tratada pelos exércitos do Papa Inocêncio III, durante as cruzadas, exacerbou ainda mais o Oriente; e a decretação do dogma da Infalibilidade do Papa, em 1870, cavou ainda mais o abismo. Rasgada, assim, em duas partes, a cristandade sofreu outra grande brecha no Século 16, sob a liderança de Martinho Lutero, pela MESMA RAZÃO: a determinação de o papa ser, ele mesmo, Senhor do povo de Deus.
O Mais Tenebroso Período do Papado
Adriano II, 867-72. João VIII, 872-82. Marino; 882-4. Com estes papas, começou o PERÍODO MAIS TENEBROSO do papado, 870-1050. Os 200 anos entre Nicolau I e Gregório VII é chamado, por certos historiadores, a "meia-noite da Idade Média". Suborno, corrupção, imoralidade e derramamento de sangue fizeram dessa época o mais negro capítulo de toda a história da Igreja. Adriano III, 884-5. Estevão V, 885-91. Formoso, 891-6. Bonifácio VI, 896. Estevão VI, 896-7. Romano, 897. Teodoro II, 898. João IX, 898-900. Bento IV, 900-3. Leão V, 903. Cristóvão, 903-4. O "Domínio das Meretrizes" (pornocracia, governo das raparigas) Sérgio III, 904-11 d.C., tinha uma amante, Marózia. Ela, sua mãe Teodora (esposa ou viúva de um senador romano) e sua irmã, "puseram na cadeira papal seus amantes e filhos bastardos, transformando o palácio pontifício numa cova de salteadores". Isto é conhecido, na História. Como Pornocracia, ou DOMíNIO DAS MERETRIZES (904-963). Anastácio III, 911-3. Lando, 913-4. João X, 914-28, "foi trazido de Ravena para Roma e feito papa por Teodora (que ainda tinha outros amantes), para mais convenientemente, satisfazer às suas paixões." Foi morto, asfixiado, por Marózia, que, para suceder a ele, elevou, ao pontificado, pessoal seu, Leão VI. 928-9, e Estevão VII, 929-31, e João XI, 931-6, seu próprio filho ilegítimo. Outro de seus filhos ordenou os quatro seguintes. Leão VII, 936-9, Estevão VIII, 939-42, Martinho III, 942-6, e Agapeto II, 946-55. João XII, 955-63, neto de Marózia, "foi réu de quase todos os crimes; violou virgens e viúvas, da alta e da baixa classe; viveu com a amante de seu pai; fez do palácio papal um bordeI; foi morto num ato de adultério pelo próprio marido enfurecido da mulher."

Os Abismos da Degradação Papal
Leão VIII, 963-5. João XIII, 965-72. Bento VI, 972-4. Dono II, 974. Bento VII, 975-83. João XIV, 983-4.Bonifácio VII, 984-5, assassinou o Papa João XIV e "manteve-se no trono papal, manchado de sangue, por meio de pródiga distribuição de dinheiro roubado." O Bispo de Orleans, referindo-se a João XII, Leão VIII e Bonifácio VII, chamou-os "monstros de crimes, cheirando a sangue e imundícia; anticristos sentados no Templo de Deus." João XV, 985-96. Gregório V, 996-9. Silvestre II, 999-1003. João XVII, 1003. João XVIII, 1003-9. Sérgio IV, 1009-12. Bento VIII, 1012-24, comprou o ofício de papa com patente suborno. Chamava-se a isto "SlMONIA", isto é, compra ou venda de ofício eclesiástico por dinheiro. João XIX, 1024-33, comprou o pontificado. Era leigo e recebeu, num só dia, todas as ordens do clero. Bento IX, 1033-45, era uma criança de 12 anos quando foi feito papa,. mediante uma negociata com as famílias poderosas que governavam Roma. "Ultrapassou João XII em iniqüidade; cometeu assassinatos e adultérios à luz clara do dia; roubou peregrinos sobre os túmulos dos mártires; criminoso hediondo, o povo expulsou-o de Roma." Gregório VI, 1045-6, comprou o pontificado. Três papas rivais, Bento IX, Gregório VI e Silvestre II. "Em Roma enxameavam os assassinos assalariados; violava-se a virtude de peregrinos; até as igrejas eram profanadas com derramamento de sangue." Clemente II, 1046-1, foi designado papa pelo Imperador Henrique III da Alemanha "porque não se achava um clérigo romano livre da contaminação da simonia e da fornicação." A situação revoltante clamava por uma reforma. Dâmaso II, 1048. Altos protestos contra a torpeza e a infâmia pontifícias, e os clamores por uma reforma tiveram resposta num líder de nome Hildebrando.

A Idade Áurea do Poder Papal
Hildebrando, de pequena estatura, desajeitado de aparência, de voz débil, todavia, pujante de intelecto, animoso, decidido, homem "de sangue e ferro", zeloso defensor do absolutismo papal, aderiu ao Partido Reformista e levou o papado à sua IDADE ÁUREA (1049- 1294). Controlou os cinco sucessivos pontificados que precederam imediatamente o seu; Leão IX, 1049-54; Vitor II, 1055-7, Último dos papas alemães; Estevão IX, 1057-8; Nicolau II, 1059-61, em cujo pontificado a eleição dos papas, que antes era feita pelo imperador, passou a ser da alçada dos cardeais, Desde então os papas, com poucas exceções (como os de Avinhão), têm sido escolhidos dentre o clero romano; Alexandre II, 1061-73. Gregório VII (Hildebrando), 1073-85. Seu grande objetivo foi reformar o clero. Os dois pecados predominantes nos padres eram imoralidade e simonia. Para curá-los da imoralidade, Gregório insistiu, combativamente, no celibato. Para afastá-los da simonia (compra de cargo eclesiástico por dinheiro) insurgiu-se contra o direito de o imperador nomear dignitários para a igreja. Praticamente, todos os bispos e padres compravam os seus cargos, visto que à Igreja pertencia a metade de todas as propriedades e tinha grandes rendimentos, o que ensejava uma vida de luxo. Os reis, habitualmente, vendiam os cargos eclesiásticos a quem mais oferecesse, independente da capacidade ou do caráter do indivíduo. Isto levou Gregório a lutar, denodadamente, contra Henrique IV, Imperador da Alemanha. Este depôs Gregório. Gregório, por sua vez, excomungou e depôs Henrique. Seguiu-se uma guerra. Durante anos, a Itália foi devastada pelos exércitos em combate. Gregório, finalmente, foi expulso de Roma e morreu no exílio. Mas fez, em grande parte, a independência do papado, do poder imperial. Repetidamente, denominou-se "soberano dos reis e príncipes", e provou que o era. Vitor III, 1086-7. Urbano II, 1088-99, continuou a guerra contra o imperador; tornou-se líder do movimento das cruzadas, o que ainda mais aumentou o prestígio do papado perante a cristandade. Pascoal II, 1099-1118, continuou a guerra contra o imperador alemão a propósito do direito das nomeações eclesiásticas. Gelásio II, 1118-9. Calixto II, 1119-24, na Concordata de Worms. 1122, chegou a um acordo com o imperador alemão, do que resultou a paz, depois de 50 anos de guerra. Honório II, 1124-30. Inocêncio II, 1130-43, manteve-se no ofício pelas armas contra o antipapa Anacleto II, que fora escolhido por certas famílias poderosas de Roma. Celestino II, 1143-4. Lúcio II, 1144-5. Eugênio III, 1145-53. Anastácio IV, 1153-4. Adriano IV, 1154-9, o único que foi inglês; deu a Irlanda ao rei da Inglaterra e autorizou-o a apossar-se dela. Tal autorização foi renovada pelo papa seguinte, Alexandre III, entrando em execução em 1171. Alexandre III, 1159-81, o maior papa, de Gregório VII a Inocêncio III; entrou em conflito com quatro antipapas, reencetou a guerra pela supremacia contra o imperador alemão, Frederico Barbaroxa, que, depois de cinco campanhas e muitas batalhas campais entre seus exércitos e os do papa e seus aliados, havendo terrível mortandade, fez a Paz de Veneza, 1177. Alexandre foi expulso de Roma, pelo povo, morrendo no exílio, como aconteceu com muitos outros papas. Lúcio III, 1181-5. Urbano III, 1185-7. Gregório VIII, 1187. Clemente III, 1187 -91. Celestino III, 1191-8. O Auge do Poder Papal

Inocêncio III, 1198-1216, o papa mais poderoso.
Declarou-se "vigário de Cristo", "vigário de Deus", "soberano supremo da Igreja e do mundo", com o direito de depor reis e príncipes; que "todas as coisas na terra, no céu e no inferno estão sujeitas ao vigário de Cristo." Levou a Igreja a sobrepor-se ao Estado. Os reis da Alemanha, França, Inglaterra, e, praticamente, todos os monarcas da Europa faziam a sua vontade. Até o Império Bizantino foi por ele dominado, embora a maneira brutal como tratou Constantinopla resultasse, mais tarde, no afastamento do Oriente. Nunca, na História, um homem exerceu maior autoridade do que ele. Ordenou duas cruzadas. Decretou a transubstanciação. Confirmou a confissão auricular. Declarou que o sucessor de Pedro "nunca e de modo algum' podia apartar-se da fé católica" (infalibilidade papal). Condenou a "Magna Charta". Proibiu a leitura da Bíblia em vernáculo. Ordenou o extermínio dos hereges. Instituiu a INQUISIÇÃO. Mandou massacrar os albigenses. Mais sangue foi derramado durante seu pontificado e dos seus imediatos sucessores do que em outro qualquer período da história da Igreja, salvo no esforço papal por esmagar a Reforma, nos Séculos 16 e 17. Dir-se-ia que Nero, a besta, tinha revivido, assumindo o nome de cordeiro.
Mantido pela inquisição o Poder Papal
A inquisição, denominada "SANTO OFÍCIO", foi instituída por Inocência III e aperfeiçoada sob o segundo papa que se seguiu, Gregório IX. Era o tribunal eclesiástico, ao qual incumbia prender e castigar os hereges. Exigia-se que todos prestassem informação sobre pessoas heréticas. Todos os suspeitos de heresia estavam sujeitos a torturas, sem saber quem os havia acusado. O processo corria, secretamente. O inquisidor pronunciava a sentença e a vítima era entregue às autoridades civis para ser encarcerada pejo resto da vida, ou ser queimada. Seus bens eram confiscados e divididos entre a Igreja e o Estado. No período que se seguiu imediatamente a Inocência III, a Inquisição executou sua obra mais fatal no sul da França (ver sobre os albigenses), mas a ela coube a responsabilidade de vastas multidões de vítimas na Espanha, Itália, Alemanha e Países Baixos. Mais tarde, foi ela a principal agência do esforço papal por esmagar a Reforma. Afirma-se que nos 30 anos, entre 1540 e 1570, nada menos de 900.000 protestantes foram mortos, na guerra movida pelo papa com o fim de exterminar os valdenses. Imagine-se o que não era frades e padres, insensivelmente cruéis e desumanamente brutais, a dirigirem a obra de torturar e queimar vivos homens e mulheres inocentes; e faziam isto em nome de Cristo, por ordem direta do seu "vigário". A INQUISIÇAO é o FATO MAIS INFAME da História. Foi inventada pelos papas e usada por eles, durante 500 anos, na mantença do seu poder. Nenhum, da subseqüente linhagem desses "santos" e "infalíveis", jamais se penitenciou disso.

A Continuação da Guerra contra o Imperador Alemão
Honório III, 1216-27. Gregório IX, 1227-41. Inocêncio IV, 1241-54, sancionou a aplicação de torturas para arrancar confissões dos suspeitos de heresia. No pontificado desses três papas, Frederico II, imperador da Alemanha, neto de Frederico Barbaroxa, um dos mais resolutos adversários do papado, contra este levou seu império à última grande luta. Após repetidas guerras, o império foi humilhado, e o papado saiu triunfante. Alexandre IV, 1254-61. Urbano IV, 1261-4. Clemente IV, 1265-8. Gregório X, 1271-6. Inocêncio V, 1276. João XXI, 1276-7. Nicolau III, 1277-80. Martinho IV, 1281-5. Honório IV, 1285-7. Nicolau IV, 1288-92. Celestino V, 1294. O Começo do Declínio Papal Bonifácio VIII, 1294-1303, em sua famosa bula "Unam Sanctam", disse: "Declaramos, afirmamos, definimos e pronunciamos que é, absolutamente, necessário para a salvação que toda criatura humana se sujeite ao Romano Pontífice." Todavia, Dante, que visitou Roma no pontificado desse papa, viu-o tão corrupto que chamou ao Vaticano "semeador de corrupções", c. ao lado de Nicolau III e Clemente V, pô-Io nas partes mais baixas do inferno. Bonifácio recebeu o papado quando este estava no auge do poder. mas encontrou um antagonista à altura, na pessoa de Filipe, o Belo, rei da França, a cujos pés o papado foi humilhado até ao pó, começando sua ERA de DECLÍNiO.

A França Domina o Papado
O papado fora vitorioso em sua luta de 200 anos contra o Império Germânico. Mas, agora, o rei, da França se tornara o monarca-líder da Europa; um sentimento nacionalista e um espírito de independência tomavam corpo no meio do povo francês (conseqüência, sem dúvida, em parte do massacre brutal, dos albigenses franceses, levado a efeito pelo papado no século precedente); e Filipe, o Belo, com quem a história da França começa, assumiu a luta contra o papado. Iniciou-se o conflito com Bonifácio VIII a propósito do imposto lançado sobre o clero francês. O papado foi completamente submetido ao Estado; e, depois da morte de Bento XI, 1303-4, a sede pontifícia foi removida de Roma para Avinhão, no limite sul da França, e, durante 70 anos, o papado foi mero instrumento da corte francesa.

O "Cativeiro Babilônico" do Papado 70 anos (1305- /377), nos quais a sede pontifícia esteve em Avinhão Clemente V, 1305-/4. João XXII, 1316-34, o homem mais rico da Europa. Bento XII, 1334-42. Clemente VI, 1342-52. Inocêncio VI, 1352-62. Urbano V, 1362-70. Gregório XI, 1370-8. A avareza dos papas de Avinhão não conheceu limites; taxas pesadas foram impostas; todos os cargos na Igreja eram vendidos por "dinheiro, e muitos cargos novos foram criados, para serem vendidos, a fim de se encherem os cofres dos papas e ser mantida assim, sua corte luxuosa e imoral. Petrarca, aos domésticos do papa, acusou de rapinagem, adultério e toda espécie de imoralidade. Em muitas paróquias, como medida de proteção às famílias, cidadãos insistiam em que os padres tivessem concubinas. O “cativeiro" foi um golpe no prestígio papal.
O Cisma Papal
40 anos (1377-1417) durante os quais houve, simultaneamente, dois papas, um em Roma e outro em Avinhão, cada qual a se dizer "vigário de Cristo" e a proferir anátemas e maldições um ao outro.
Urbano VI, 1378-89, sob o qual a sede pontifícia foi restabeleci da em Roma. Bonifácio IX, 1389-1404. Inocêncio VII, 1404-6. Gregório XII, 1 406-9 Alexandre V, 1409-10. . João XXIII, 1410-15, chamado, por alguns, o mais depravado criminoso que já se sentou no trono papal; réu de quase todos os crimes; quando era cardeal, em Bolonha, duzentas jovens, freiras e senhoras casadas caíram vítimas de seus galanteios; como papa, violou freiras e donzelas, viveu em adultério com a mulher de seu irmão; foi réu de sodomia e outros vícios inomináveis; comprou o cargo pontifício; vendeu cardinalatos a filhos de famílias ricas; negou, abertamente, a vida futura. Martinho V, 1417-31, com quem foi sanado o cisma papal, mas este foi considerado na Europa um escândalo, levando o papado a sofrer irreparável perda de prestígio. Eugênio IV, 1431-47.

Os Papas da Renascença, 1447-1549
Nicolau V, 1447-55, autorizou o rei de Portugal a guerrear contra povos africanos, tomar-Ihes as propriedades e escravizar sua gente". Calixto III, 1455-8. Pio II, 1458-64, teve muitos filhos ilegítimos, referiu, abertamente, os métodos que usava para seduzir mulheres, animou jovens na satisfação dos próprios apetites e até se ofereceu para lhes ensinar como fazê-lo. Paulo II, 1464-71, "encheu sua casa de concubinas". Sixto IV, 1471-84, sancionou a Inquisição Espanhola; decretou que o dinheiro livraria as almas do purgatório; esteve implicado numa trama de morte contra Lourenço de Médicis e outros que se opunham ao seu governo; prevaleceu-se da posição para se enriquecer e a seus parentes; fez cardeais de oito de seus sobrinhos, embora alguns deles ainda fossem crianças; no luxo e esbanjamento, rivalizou com os Césares; na riqueza e no fausto, ele e seus parentes, não tardou que excedessem às antigas famílias de Roma. Inocêncio VIII, 1484-92, teve 16 filhos de várias mulheres casadas; multiplicou os cargos eclesiásticos e vendeu-os por elevadas somas de dinheiro; decretou o extermínio dos valdenses e enviou um exército contra eles; nomeou o brutal Tomás de Torquemada para inquisidor geral da Espanha e ordenou a todas as autoridades que a ele entregassem os hereges; permitiu touradas na Praça de S. Pedra; deu lugar a que Savonarola trovejasse contra a corrupção papal. . Alexandre VI, 1492-1503, o mais corrupto dos papas da Renascença, licencioso, avarento, depravado; comprou seu pontificado; fez, por dinheiro, muitos novos cardeais; tinha uma quantidade de filhos ilegítimos, por ele reconhecidos, abertamente, aos quais nomeou para elevadas funções eclesiásticas, quando ainda meninos, e que, de parceria com o pai, assassinaram cardeais e outros que se lhes opunham. Teve como amante a irmã de um cardeal que veio a ser o papa seguinte, Pio III, 1503, cujo marido ele apaziguava com presentes.

Papas do Tempo de Lutero
OBS: Assista o filme LUTERO, ali esta a história de Lutero.
Júlio II, 1503-13, sendo o cardeal mais rico, percebendo vultuosa renda de numerosos bispados e de propriedades de igrejas, comprou o seu pontificado; ainda quando cardeal, ridicularizou o celibato; envolvendo-se cm disputas intermináveis a respeito da posse de cidades e principados, manteve, e comandou, pessoalmente, vastos exércitos; foi chamado o “papa guerreiro"; expediu indulgências; era ele o papa quando Lutero visitou Roma, ficando apavorado com o que viu. Leão X, 1513-21, era o papa quando Martinho Lutero começou a Reforma protestante; filho de Lourenço de Médicis; feito arcebispo aos 8 anos de idade; cardeal aos 13; nomeado para 27 diferentes cargos eclesiásticos, o que significava, para ele, vultuosa renda, antes dos 13 anos; foi ensinado a considerar os cargos eclesiásticos como simples fonte de renda; negociou o trono papal; vendeu honrarias eclesiásticas. Vendiam-se todos os cargos da Igreja, e muitos outros foram criados. Nomeou como cardeais crianças de 7 anos; manteve-se em infindáveis negociações com reis e príncipes, trapaceando, com vistas ao poder secular; de todo indiferente ao bem-estar religioso da Igreja; manteve a corte mais suntuosa e licenciosa da Europa; seus cardeais rivalizavam com reis e príncipes em deslumbrantes palácios e passatempos voluptuosos, servidos de enorme criadagem; e, todavia, esse sibarita confirmou a bula "Unam Sanctarn", na qual se declarava que todas as criaturas humanas deviam submeter-se ao Pontífice Romano para serem salvas; expediu indulgências a preços taxados; declarou que a incineração de hereges era de ordem divina. Adriano VI, 1522-3. Clemente VII, 1523-34. Paulo III, 1534-49, teve muitos filhos ilegítimos; inimigo decidido dos protestantes, ofereceu a Carlos V um exército para dar-lhes combate.


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